Pesquisadora publica artigo sobre como medida impacta as mulheres e pode resultar no aumento da misoginia em rede
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Na última terça-feira (11), Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência, o portal The Conversation Brasil publicou o artigo “Fim da checagem de fatos também é questão de gênero: como o problema impacta as mulheres e outros grupos minorizados”, assinado por Myllena Diniz, jornalista e doutoranda no Programa de Pós-graduação em Ciência da Informação do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia e da Universidade Federal do Rio de Janeiro (PPGCI Ibict/UFRJ). Membro do Grupo de Pesquisa Perspectivas Filosóficas em Informação (Perfil-i), a pesquisadora destaca como as novas diretrizes da Meta impactam as mulheres e podem resultar no aumento da misoginia em rede.
De acordo com Myllena Diniz, o fim da checagem dos fatos pelas big techs evidenciam problemáticas econômicas, sociais e psíquicas com impacto direto a grupos vulneráveis e minimizados. “A ausência de moderação de conteúdo amplifica a desordem informacional e, assim, favorece a misoginia em rede – a propagação de discursos de ódio, aversão, intimidação e assédio contra mulheres nas plataformas digitais”, destaca.
Para explicar o fenômeno, a pesquisadora apresenta estudos publicados em diferentes países, que evidenciam como o ambiente digital é um grande facilitador para a violência de gênero, em todo o mundo. Entre eles, estão o relatório Deplataforming Misogyny, do Fundo de Educação e Ação Jurídica das Mulheres (LEAF), e pesquisa da União Europeia que constata que 62% das mulheres já foram alvo de desinformação ou assédio online.
“Por meio da rede, são disseminadas práticas como doxxing (exposição de dados pessoais e confidenciais), perseguição, trolling (humilhações e constrangimentos), além de campanhas coordenadas de assédio e distribuição de imagens íntimas sem consentimento”, ressalta.
Segundo Myllena Diniz, alguns dos principais alvos são mulheres em posições de destaque, como políticas ou profissionais da imprensa, além daquelas pertencentes a grupos minorizados. Conforme aponta a pesquisadora, os ataques ganharam especial destaque nas Eleições de 2024, por meio de ações coordenadas e sistemáticas, para minar a credibilidade feminina na política, questionando sua competência ou integridade, a partir de informações falsas.
“A articulação dessas narrativas ocorre, com frequência, na manosfera – um conjunto de espaços digitais que apoiam e amplificam discursos misóginos, homofóbicos e de valorização da masculinidade. Esses grupos costumam recorrer a estratégias de desinformação e, agora, contam com um novo recurso: a deep fake, técnica que usa a Inteligência Artificial para criar imagens e vídeos falsos, cada vez mais próximos da realidade. Esse recurso tem sido amplamente usado para simular conteúdos pornográficos, os deep nudes, dos quais mais de 90% são pornografias não consensuais com mulheres e que as expõem a situações humilhantes, com graves consequências psicológicas e sociais”, alerta.
No texto, Myllena Diniz também aborda o atual de Regime de Desinformação que beneficia o modelo de negócio das plataformas digitais; critica o falso uso da ideia de “liberdade de expressão” pelas big techs para justificar o fim da checagem dos fatos; e defende a regulação democráticas das plataformas digitais, bem como a Educação Midiática e Informacional.
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