Perspectivas Filosóficas em Informação

8M: impactos da misoginia em rede e da falta de regulação nas plataformas digitais é destaque no Desinformante

Artigo de Myllena Diniz, pesquisadora do Perfil-i, repercute no portal de notícias focado em desinformação, durante o Mês Internacional da Mulher

No Mês Internacional da Mulher, o artigo "Fim da checagem de fatos também é questão de gênero: como o problema impacta as mulheres e outros grupos minorizados", de autoria de Myllena Diniz, membro do Grupo de Pesquisa Perspectivas Filosóficas em Informação (Perfil-i), é destaque no portal Desinformante – dedicado, exclusivamente, à produção de conteúdos confiáveis sobre desinformação. O texto foi publicado, originalmente, no site The Conversation Brasil e replicado em outros veículos de amplo alcance, como o Uol.

Jornalista, mestra e doutoranda em Ciência da Informação, pelo Programa de Pós-graduação do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia e da Universidade Federal do Rio de Janeiro (PPGCI Ibict/UFRJ), Myllena Diniz destaca como as novas diretrizes da Meta – conglomerado que engloba as plataformas Facebook, Instagram e Threads – representam não apenas o afrouxamento das políticas de checagem dos fatos como criam condições para a ampliação do fenômeno da misoginia em rede.

"A ausência de moderação de conteúdo amplifica a desordem informacional e, assim, favorece a misoginia em rede – a propagação de discursos de ódio, aversão, intimidação e assédio contra mulheres nas plataformas digitais", explica Myllena Diniz.

De acordo com a pesquisadora, alguns dos principais alvos são mulheres em posição de destaque, além daquelas situadas em grupos minorizados. Para ela, no Brasil, o problema tornou-se ainda mais evidentes durante as Eleições de 2024, por meio de ações coordenadas e sistemáticas, oriundas de segmentos conservadores, para minar a credibilidade feminina na política, questionando sua competência e integridade, a partir de informações falsas.

"A articulação dessas narrativas ocorre, com frequência, na manosfera – um conjunto de espaços digitais que apoiam e amplificam discursos misóginos, homofóbicos e de valorização da masculinidade. Esses grupos costumam recorrer a estratégias de desinformação e, agora, contam com um novo recurso: a deep fake, técnica que usa a Inteligência Artificial para criar imagens e vídeos falsos, cada vez mais próximos da realidade. Esse recurso tem sido amplamente usado para simular conteúdos pornográficos, os deep nudes, dos quais mais de 90% são pornografia não consensual com mulheres e que as expõem a situações humilhantes, com graves consequências psicológicas e sociais", alerta.

No artigo, Myllena Diniz também aborda a lógica do atual Regime de Desinformação, que beneficia o modelo de negócio das plataformas digitais; critica o falso uso da ideia de "liberdade de expressão"pelas big techs para justificar o fim da checagem dos fatos; e defende a regulação democrática das plataformas digitais, bem como a Educação Midiática e Informacional.

Leia, na íntegra, aqui.